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sábado, 15 de junho de 2013

Brasileiros

  Hoje é uma das primeiras vezes que eu sinto orgulho do povo brasileiro, o povo que vai a rua e luta por seus direitos, o povo que mesmo que por meio de vandalismo se faz visto e que para a vergonha de nossa nação é repreendido  e atacado violentamente pela polícia e pela mídia televisiva e algumas das mídias impressas.
  Hoje eu gostaria de ir a rua e protestar também, mas é uma pena que em minha cidade não temos, ao menos por enquanto, povo unido para buscar melhoras em suas vidas.
  Muitos afirmam que não é só por causa dos R$0,20 da passagem, e eu concordo já que nosso povo esta desta vez reivindicando melhoras agora e após varias décadas se levantou novamente. Mas se fosse apenas pelos R$ 0,20 já seria muita coisa e ainda assim eu apoiaria, digamos que peguemos 2 ônibus ao dia (ida e volta do trabalho) o valor no fim do mês para pessoas que trabalham apenas de segunda a sexta já seria um aumento no valor do passe no fim do mês de R$ 8,80. E isto já não é pouco, uma vez que pegamos ônibus em estado precário, com péssimos horários, sempre atrasados e sempre no estilo "sardinha na lata".
  Posso até estar errado mas este é meu ponto de vista desde criança sempre sonhei com uma revolução que faça com que este país (desculpem a palavra ) de merda volte andar para frente. Onde o dinheiro que o povo tanto fornece aos cofres públicos retornem ao povo como benefícios públicos como deveria ser.
  Lembrando que o problema não esta apenas em um partido ou em um punhado de políticos, mas sim  de uma péssima educação, política, cultura e principalmente um modo de pensar acomodado que vê tudo "já ta cagado mesmo não da pra concertar", eu mesmo às vezes penso assim mas por que fomos todos culturalizados para isto, alguns menos outros mais, e isto deve ser mudado.
  Finalizando parabenizo a todos que participaram das manifestações e espero que esta não seja um fogo de palha, uma vez que somente assim podemos mudar nosso país e também o mundo.  
  Como dizia meu grande ídolo Renato Russo:
" A bem pouco tempo atrás poderíamos mudar o mundo quem roubou nossa coragem? "
(Quando o sol bater na janela do seu quarto)
e também:
"Vamos fazer nosso dever de casa
 E aí então vocês vão ver 
 Suas crianças derrubando reis
 Fazer comédia no cinema com as suas leis"
(Geração Coca-cola)

Neste clima de revolta social, alguns poemas que falam sobre o assunto.



Nada é impossível de mudar

Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. 
E examinai, sobretudo, o que parece habitual. 
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.
(Bertold Brecht) 



(Poema de nome não encontrado)
O Vosso tanque General, é um carro forte
Derruba uma floresta esmaga cem
Homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motorista 

O vosso bombardeiro, general
É poderoso:
Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito
- Precisa de um piloto. 

O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito
- Sabe pensar
(Bertold Brecht)

Outros fragmentos de Bertold: 

Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis


Do rio que tudo arrasta se
diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as
margens que o comprimem

Um poema para nos lembrar do poder da revolta e do nosso medo de nos revoltar.

No Caminho, com Maiakóvski
Eduardo Alves da Costa

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz;
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de me quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas manhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas ao tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo,
por temor aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!