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sábado, 17 de agosto de 2013

O mais profundo ser.

O mais profundo ser.
Após uma reflexão de ambiguidades
Calculei amor e ódio, altruísmo e egoísmo,
Liberdade e aprisionamento, revoltei-me.
Logo ao sair na rua a um passo que beirava a invariabilidade
Cruzei com um homem, e ele estava feliz e rindo.
Neste momento o odiei e dele roubei sua mascara
E vi que em minha frente seus olhos se mostraram mortos,
E logo não apenas seus olhos, mas todo o seu rosto estava morto.
E por fim assim lhe levei a vida.
Mas isto não me causou arrependimento,
Pelo contrario a satisfação me assumiu e enfim eu era completo,
A cada pessoa que eu encontrava no caminho de casa
Tomava-lhe a mascara e observava a vida se mostrar realmente.
Eu me sentia um Deus, era como um médico,
Ao tirar o suporte de vida de um paciente vegetativo.
Em alguns casos me surpreendi.
De uma mãe amorosa, ao tirar a mascara visualizei uma mulher invejosa,
De um homem doente e castigado, extrai um ser sublime.
De um médico altruísta, visualizei um demônio sádico,
De um mendigo odiosamente repulsivo, observei a tez da felicidade.
De um homem pregando religião, deflagrei um pervertido.
De um assassino sádico, encontrei uma pessoa banhada em tristeza e depressão.
E desta forma passei a odiar a todos ainda mais,
Pois haviam tentado me enganar e os odiei mais ainda, pois eu sabia que fazia o mesmo.  
Sim e a caminho de casa enfim encontrei uma pessoa a quem muito admirava,
Era o eu que eu desejava ser, feliz,altruísta e pacifista.
Mas temi tirar-lhe a mascara e olhar por baixo dela,
Assim eu poderia perder o meu ideal,
Porém eu precisava terminar meu serviço,
Abaixo desta mascara vi algo que me assustou mais que tudo já visto,
Abaixo da mascara existia o nada, o não ser.
Corri para casa e me tranquei no quarto, em meu banheiro.
Ao olhar para o espelho destruí minha mascara e antes não o tivesse feito
Abaixo da mascara encontrei outra mascara,
 E esta era a beleza que vos agrada ao me ver,  mas também a destruí
E ela escondia o que comparei ao sobrevivente de uma guerra entre mil demônios.
Imerso em um liquido vítreo que me transparecia o vazio,
E ao olhar este ser eu vi sua tristeza e sua falta de amor próprio,
E compadecido com tal ser, e ao mesmo tempo tão apavorado,
Aquilo que vi durante o dia havia sido tenebroso.
Assim para que o dia terminasse logo,
Com beijo metálico em meu pescoço
Uma lamina destruiu minha jugular
E a última visão que tive de mim mesmo foi uma bela criança encolhida
Banhada no mais belo líquido proveniente do ser humano, o néctar da vida
O Sangue.                                    
(Matheus Gonçalves da Silva)



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